sábado, 17 de setembro de 2011

Partida

Corri a toa,
coração em rebuliço.
Vontade tive, de certo, de partir.
Lembrei-me de ti, do inicio...

E o vento soprava no ouvido
como quem se despede na partida,
dizia da sorte de outrora,
das idas e vindas desta vida.

Dizia da moça bonita, do amor
da paixão e da malícia,
cantava em sussuro o segredo
do homem o rancor e a cobiça.

Contava, nas lágrimas, a história
falava de mim e de ti.
E eu ouvindo calada,
esperando o destino na estrada,
esperando o momento de ir.

domingo, 10 de julho de 2011

O poeta

O poeta perdeu sua alma,
na imensidão das palavras.
E seu poema, se entregou a solidão.
_ Antes partir que viver na ilusão_ pensava.
Que sonhar o sonho do tolo,
que viver deste abandono,
sem Amor, sem companhia.
Nem a noite, nem o dia,
lhe preenche o coração.
Melhor viver de palavras,
onde o sonho não se acaba,
e voa com a imaginação.
Viver no mundo de páginas,
de romance e de canção,
onde cada qual é feliz,
onde eu sou um aprendiz,
e o Amor é a melhor lição.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Caminhos

Faz tempo que a vida deixou-se passar,
lentamente... entre o ontem e o hoje.
Foi-se alegremente a cantarolar, 
Como criança que de algo foge...
E dela não tenho notícia.
O tempo levou-a consigo
Mas como nobre amigo, pra não magoar,
Deixou em minh'alma a lembrança,
Das coisas de infância, do cheiro de mar.

quinta-feira, 16 de junho de 2011





Tenho estado em silencio,
eu e meu coração.
Às vezes é preciso calar a mente 
e deixar o pensamento voar...
Para então, 
e tão somente
recomeçar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pontos nos is

Não gosto das afirmações imperativas,
o ponto de exclamação me parece
a primeira vista
demasiado autoritário.
Gosto das reticências
E do pensamento que lhes precede.
Gostos mais ainda da interrogação,
essa sim me acaricia as noites insones.
Nela viajo pelo mundo do  "se",
Se tivesse ido? Se tivesse ficado?
As perguntas, na verdade, se amontoam no meu viver.
Sou um ser de perguntas, não de imposições.
sou um ser de reticências...
Suaves devaneios da linguistica.
E que a gramática me perdoe,
mas ignoro as virgularices alheias,
e se a vida me permite um obsequio
gosto de ter a meu favor,
não o tal do ponto final,
mas os dois pontos pra explicação:
Palavras são só palavras...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Insônia

Nas noites de frio, eu
sonho acordada.
Remexo,
reviro,
canto... assobio.
Nada.
O sono não vem,
e não tem ninguém
que me faça esquecer
de ti.
Que me faça seguir,
e parar de querer
você.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mabon

Eu sou a diferença.
A vida por trás do amor.
Sou canto por trás da dança.
O vento que a árvore balança.
Sou o orvalho que banha a flor.

Eu sou a única.
Senhora de muitas faces.
Sou a lua brilhante no céu.
Sou a doce virgem de véu.
Aquela que ouve tuas preces.

domingo, 10 de abril de 2011

Saudade...

Tenho saudade do deserto...
De um tempo que não é o meu.
Tenho saudade de ti,
das noites insones.
Conversas do mundo inteiro
no nosso quintal.
Tenho saudade das lembranças,
que nem eram minhas,
mas que eram de nós dois...
Tenho saudade da vontade
de estar ao teu lado de novo.
Do querer
ver e ter,
apenas teus olhos nos meus.
Saudade de um tempo
que o tempo não deixa voltar.
De nós,
a sós
no luar...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Aurora

Via o mundo pela janela.
A chuva caindo,
As pessoas partindo.
Cores desbotadas,
Nas roupas remendadas,
Do mendigo lá fora.
Assim era o mundo de aurora.

Via a vida de longe.
A luz do sol na grama,
O marrom da terra na lama.
Vestes amassadas,
Na jovem embriagada,
Que resmungava lá fora.
Assim era vida de Aurora

Via o amor pela fresta.
Sob a lua em noite clara,
Nos gestos de afeição rara.
Lábios de um vermelho quente,
Rostos de emoção ardente,
Dos amantes lá fora.
Assim era o amor pra Aurora.


Via tudo pelos seus olhos.
Olhos de moça esquisita,
Que pouco sabe da vida,
Mas tudo entende de gente.
Espera um dia, contente,
O momento de ir-se embora.
Assim era o mundo de Aurora.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Em preto e branco

Ser preto, ser branco!
Sê preto ou Sê branco?
Pra quê?
Quero mesmo é ser
Colorido.
Ser azul pela manhã,
Que azul é cor de céu.
Ser amarelo ao meio dia.
Cor de sol a pino.
Ser laranja à tardinha,
Que laranja é a cor
Da sabedoria.
E a noite ser...?
A noite tem cor de quê?!
Tem cor de travesseiro arrumado,
Cor de beijo roubado,
Cor de dança lentinha, gostosa.
Tem cor de olho no olho,
E de suspiro demorado.
A minha noite tem cor de rosa e encarnado...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Verso

Gostaria de um verso só...
Um verso de paixão,
de calar o coração.
Um verso de brotar o dia,
de acordar a noite fria.
Um verso de fazer estremecer a pele, 
suar a nuca, 
de deixar maluca,
assim sem querer.
Um verso sussurrado no ouvido,
um silencioso estribilho,
que me faça enlouquecer...
Um verso atônito de amor,
de olhos cerrados, 
revelando seu pudor.
Um verso ou dois...
pra me deixar dormente
o sorriso, o corpo, a mente.
Um verso só amor...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Às vezes a vida dá um nó.


A garganta cala,

A alma vaga, 

com vontade de estar só...


domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Na terra em que o mar não bate, 
não bate o meu coração. 
O mar onde o céu flutua, 
onde morre o sol e a lua. 
E acaba o caminho do chão. "


Caetano Veloso


Onde bate o meu coração?
Coração vagabundo,
entediado dos rumores do mundo
sempre buscando o movimento,
intenso,
do amor.
Coração que se despede,
que muda, reluta e, finalmente 
se perde sem perceber...
Coração que nada teme
a não ser a si próprio.
É esse coração 
temerário, 
quase sempre 
solitário
que eu tenho 
que entender...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O acaso

O acaso vai me proteger, 
enquanto eu andar distraido...

O acaso não escuta as preces
feitas no silencio da noite, 
no esconderijo do coração.


O acaso é lugar de todos, 
é caminho em via publica,
nada esconde na imensidão.


O acaso chega de mansinho
doce e sedutor...  escondidinho,
pega a gente de surpresa.
E de surpresa encontra a porta aberta,
a mente quieta, à esperar.


O acaso é distraido,
esquece o teu pedido,
só pra te ver chorar.


Mas ele esquece também,
que na busca do que queria
bem que você podia 
deixar o acaso pra lá...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Um sorriso teu

Adoro teu sorriso de lunático.
De quem sabe bem o que não quer,
De fazer enlouquecer...
Esse teu sorriso enigmático,
Tal qual Dalí...
Aqui em mim faz um estrago.
É fato, que esse sorriso é problemático.
Cheio de intrigas entre nós,
Quando a sós tento calá-lo,
Num beijo fugaz.
Mas, atrás deste teu sorriso,
Reina silencioso e proibido,
Toda vontade de se entregar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Bailarina

Bailarina.
Seu corpo levita no ar,
Rodopia e cai.
Parece voar...

Braços longos,
Em suaves movimentos.
Desenhando arabesques,
Parece brincar com o tempo.

E o corpo dando voltas,
Girando louco no espaço.
Braços, pernas e pés...
Sua saia de tule e laço.

Brinca de ser perfeita,
Em sua doce leveza.
Seu espírito voa,
Imerso em dor e beleza.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Na dança

Tua mão no meu rosto,
meus olhos, teus olhos...
Nossos lábios.
Boca, pescoço, colo...
arrepio e suspiro.
Um giro, um passo, o compasso...
Nós dois.
Mais um tango,
pra'eu dançar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Despedidas...

Caminhos que se cruzam,
Noites que se encontram.
Olhares e silêncios e
Nada em volta pra compartilhar
Esse breve momento...
Despedidas são sempre dolorosas.
Perda de quem fica,
Magoa de quem vai.
A noite segue,
O dia vem,
O vazio fica.
         Vontade de querer bem.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Retalhos

E no calor desta noite,
faltam teus olhos,
falta teu cheiro,
sinto falta de você.

Tão logo amanhece...
a cama vazia,
a alma vazia,
esvazia meu ser.