quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

contranarciso

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

Paulo Leminski

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Busca

"Ah, eu sempre quis um amor que amasse." E. Lucinda

Procuro-te.
Bato a tua porta insistente,
esperando que estejas ali.
Ali ao meu lado,
ali parado,
esperando por mim.
Mas tu já não habitas
onde quero,
onde espero
onde me perdi...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Perspectiva

Olha,
A vida não pede passagem,
O amor não pede coragem,
Nós é que esperamos de mais.
Agora,
O destino segue viagem,
Sonhos, são apenas miragem,
E você perdido no cais...

domingo, 28 de novembro de 2010

Das Utopias

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!"

Mario Quintana - Espelho Mágico

O tempo é coisa passageira,
Nada leva na gibeira.
Deixa pra trás só lembrança,
E conosco a esperança,
De tudo um dia voltar...

[O tempo nunca foi um bom amigo, 
estive sempre com ele na ponta dos dedos, 
com medo de perdê-lo. 
Mas agora, vendo o passado e o presente, 
vendo o tempo perdido, 
finalmente entendi...
Que o tempo não se alcança,
não se prende, não se lança.
O tempo é parte da gente,
nasce, cresce e amadurece. 
Ele vive em nossa mente.]


sábado, 20 de novembro de 2010

Redemoinho II

Infinitamente tua, eu pensei...
Na imensidão de uma paixão.
Mas, a louca que havia mim,
Acordou.
Acordou e viu o mundo,
Viu a vida sem você.
Viu o dia amanhecer,
De uma noite sem razão.
E o desespero de outrora
Deu lugar a solidão,
Deu assento a comunhão,
Entre eu e o meu ser.
E de repente ser, passou a ter outra valia.
Passou de nada à serventia,
O coração volta a bater.

Redemoinho

Olho em volta,
Não há nada.
Nada há pra ver.
procuro em mim,
um pouco de você,
algo pra lembrar.
O pensamento segue,
distante. 
Onde me leva à vontade,
O horizonte.
Procuro uma saudade,
Sincera de te ver.
E a noite faz pensar...
E a noite faz querer.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

{-.-}

Sonho,
Nesta noite fria,
                            Agonia.
                                      Abria,
Uma ferida em mim.

Acordo,
Na noite gelada,
                            Parada.
Sangrava,
Numa dor sem fim.

sábado, 30 de outubro de 2010

Assim sendo...

Não quero o vazio das palavras,
Não quero a miudeza dos gestos,
Não quero a sordidez dos sorrisos vãos.
Sem ti, nada tem sentido.
Nem o dia após a noite,
Nem a dor depois fim.
Nada que valha dizer. 
Sem ti não há...
Uma parte de mim.

domingo, 17 de outubro de 2010

Clarice Lispector

...Estou procurando, estou procurando. 
Estou tentando me entender. 
Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, 
mas não quero ficar com o que vivi. 
Não sei o que fazer do que vivi, 
tenho medo dessa desorganização profunda.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pequenina

Este poema surgiu enquanto espera Lud nascer.
Foi tão inspirador que o pai (compositor de mão cheia!) criou o arranjo musical e ele virou uma bela canção. 



Vento sopra meus sonhos, enfim te encontrei
tão pequena doce criança
tão silenciosa esperança te achei

em meu canto suave te acalentei
tão inesperada surpresa
tão desesperada enfim te busquei

penso em teu jeito suave
desconhecida vives em mim
tão livre, serena, tão pequena
te amei, te amei

Espero enfim tua chegada
ansiosa e as vezes eterna
tão esperada menina brotou


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Uma prece

Que Ela ilumine o caminho aos teus pés, 
e deixe cair o véu de teus olhos. 
Que faça soprar o vento em tuas costas.
Que Ela te guie na escuridão...


Caminhos

Todo caminho pode ser belo,
todo caminho  pode ser insano.
Todo caminho pode ser eterno,
ou... pode ser leviano.
O meu caminho é mistério,
é lua e solidão.
É o caminho do amor,
perdido na imensidão...
Meu caminho é espera,
em noites de sono leve.
Um caminho que se revela,
e se esconde num sonho breve.

Solidão

A solidão enche meus olhos,
Amansa meu coração teimoso.
Deixando um rastro no caminho,
E um vazio doloroso.
Queria ver além das lágrimas,
Além do nevoeiro espesso.
Fazer da minha vida uma ponte,
Entre o passado e o futuro que nem conheço.
E deixar você partir, ir-se finalmente,
abandonar à própria sorte o amor.
E assim ser feliz livremente...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Pesadelo

Teus olhos num espelho
Tal qual Alice,
Perdido entre dois mundos.
Esperando certo coelho.
Enfadado pela chatice,
Abre a boca, nauseabundo.

Como se fosse um abismo,
Abrindo-se aos seus pés,
Cai, duramente na verdade.
E em meio ao teu ostracismo,
E do espírito pobre que és,
Tu ostenta essa vaidade.

Despenca das alturas,
No entanto,
E chega ao chão
Num solavanco.

Ainda sonolento,
Olha espantado,
Vislumbrando num momento,
Seu corpo estropiado.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Relembrando...


Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

video

Ciranda

Guga nos convidou pra dançar o Brasil. Foi uma festa de Danças Brasileiras, de um folclore contemporâneo e vivo, ardente, que me fez sentir saudade de ouvir, de cantar, de ser com elas. Guga tem dessas coisas, de fazer a gente sentir...

Ciranda


Na ciranda dançando e girando,
a menina de tranças compridas. 
Rodopia e vai brincando,
com suas fitas coloridas.


E na roda vai girando,
sua saia azul turquesa.
Entre todos vai passando,
espalhando tua beleza.


Dança  menina de tranças,
na roda à beira do mar.
Tu já não és uma criança,
Mas ainda não sabe amar...

domingo, 5 de setembro de 2010

Tenho hora marcada com o destino,
A cada passo desta rua sem saída.
Acreditando neste tempo, clandestino,
Saboreando cada espaço nessa vida.

domingo, 29 de agosto de 2010

Lua Adversa

E me disse Cecília, num poema, tudo que eu precisa entender. 
E me disse um poema, como Cecília tudo parecia saber... 

Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...

Cecília Meireles
Tudo na vida é circular... 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lamento

Torne-se o tempo um zumbido,
Um som oco e estridente de dentes.
Um soar frio e insano,
Pro entre corpos dormentes.
Vendo o ultimo sopro que te atinge,
Remexo-me brutalmente,
Luto, ergo o corpo, sigo...
Tento novamente resistir.
Tu nem pensas estar vivo,
Ou nem sabes o que és.
E uma agonia louca de querer-te,
Invade-me a alma de relance,
Dilacerando por dentro o meu ser.
Crucifica a fé que alimentavas,
Enterrando em mim este viver...

No mundo de Wosien

 "Toda composição perfeita consiste de compasso, ritmo e melodia.Em toda composição musical estes três elementos contrapõem-se em interação e tensão vivas e permanentes. O compasso representa a visão espiritual do todo, a clareza e a ordem. O ritmo responde pela vitalidade, pela tensão, pelo pulsar do fluxo sangüíneo. A melodia representa o lado verdadeiramente humano, seu querer da alma e seus sentimentos, em todas as suas nuances". (WOSIEN,2000; p. 14)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Circular...



É circular, a imensidão é circular... E circular também é o tempo. Senhor de brincadeiras eternas. Faz-nos dar voltas e quando menos esperamos, estamos de volta ao inicio. No circulo é assim, tudo sempre retorna. A vida se repete, de quando em quando, e nos presenteia com inesperados reencontros.
Foi assim com a dança, um reencontro com o passado. Um passado tão longínquo e esquecido, que nem o tempo pôde esconder.  Um reencontro com lugares e pessoas, com o divino e comigo mesma, um reencontro de uma velha alma com outra.
Uma velha alma, com olhos antigos, repletos de saber, imersos do conhecimento colhido através de tantas vidas partilhadas. Uma velha alma que eu não esperava mais reencontrar. Partilhamos tantas vidas juntos, idas e vindas no tempo, numa ciranda eterna...
Dividimos caminhos, aprendemos com cada reencontro, esquecemos em cada desencarne e tornamos a lembrar. Como se fosse uma brincadeira de roda, onde passado e presente se misturam, onde o que fomos e o que somos não têm importância, pois o tempo, Chronos, não nos deixar esquecer que tudo na vida é circular...

Volúpia

Volúpia

Tenho-te, do meu sangue alongada nos veios,
à tua sensação me alheio a todo o ambiente;
os meus versos estão completamente cheios
do teu veneno forte, invencível e fluente.

Por te trazer em mim, adquiri-os, tomei-os,
o teu modo sutil, o teu gesto indolente.
Por te trazer em mim moldei-me aos teus coleios,
minha íntima, nervosa e rúbida serpente.

Teu veneno letal torna-me os olhos baços,
e a alma pura que trago e que te repudia,
inutilmente anseia esquivar-se aos teus laços.

Teu veneno letal torna-me o corpo langue,
numa circulação longa, lenta, macia,
a subir e a descer, no curso do meu sangue.


Gilka Machado

Sonidos

Penso...
Calo a palavra solta.
Em delírios amordaço a boca...
Pra não revelar um segredo imenso!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Metáforas

No Girar do espiral
Ando, canto, danço.
Me ensino a girar.
O vento faz seu trabalho lento,
Um tormento
Quase um tilintar.
Se fosse fada,
Fingiria o tempo,
Fugindo disfarçada de nada!
À soleira da porta
Um velho gato,
Respira... ronrona macio
Quase a cantar.
Me lembra sombrio
Que a vida está a espreitar...

domingo, 15 de agosto de 2010

Devaneio

Com doces passos
Atravesso caminhos estreitos.
Obscuros...
Amargos e insanos, meus pés
Desejam seguir
A música suave da vida.
E num instante,
Meu corpo
Rodopiando no ar
Vence o medo.
Arrasta a dúvida.
E danço quietamente...
Como se isso fosse
A única coisa a fazer.

sábado, 14 de agosto de 2010

Oração a Ela

E a Deusa disse-nos:
Eu sou o espírito da natureza, 
Sou a beleza da terra verde e da lua branca, 
Todas as coisas vieram de mim 
E a mim devem retornar. 
Se deseja encontrar-me, 
Estarei na noite enluarada, 
Nos bosques e fontes. 
Cante e dance em meu nome,
E no enlace sagrado do amor
Eu estarei...
Sou a Senhora, sou eterna,
E você vive em mim...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Meu Mundo nas Danças

Dançar... Esta é a maneira que encontrei de entrar em contato com o divino. Na dança me encontrei. E através da dança, que tudo sublima ao seu redor: sentimentos, pessoas e momentos, eu encontrei a magia da vida. A dança é um encantamento poderoso neste mundo concreto em que vivemos. Nela habitam sonhos e gestos numa doce harmonia, tão incomodamente perfeita. Numa métrica que desafia a natureza e que só os Deuses são capazes de entender.