quarta-feira, 22 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Pesadelo

Teus olhos num espelho
Tal qual Alice,
Perdido entre dois mundos.
Esperando certo coelho.
Enfadado pela chatice,
Abre a boca, nauseabundo.

Como se fosse um abismo,
Abrindo-se aos seus pés,
Cai, duramente na verdade.
E em meio ao teu ostracismo,
E do espírito pobre que és,
Tu ostenta essa vaidade.

Despenca das alturas,
No entanto,
E chega ao chão
Num solavanco.

Ainda sonolento,
Olha espantado,
Vislumbrando num momento,
Seu corpo estropiado.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Relembrando...


Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ciranda

Guga nos convidou pra dançar o Brasil. Foi uma festa de Danças Brasileiras, de um folclore contemporâneo e vivo, ardente, que me fez sentir saudade de ouvir, de cantar, de ser com elas. Guga tem dessas coisas, de fazer a gente sentir...

Ciranda


Na ciranda dançando e girando,
a menina de tranças compridas. 
Rodopia e vai brincando,
com suas fitas coloridas.


E na roda vai girando,
sua saia azul turquesa.
Entre todos vai passando,
espalhando tua beleza.


Dança  menina de tranças,
na roda à beira do mar.
Tu já não és uma criança,
Mas ainda não sabe amar...

domingo, 5 de setembro de 2010

Tenho hora marcada com o destino,
A cada passo desta rua sem saída.
Acreditando neste tempo, clandestino,
Saboreando cada espaço nessa vida.

domingo, 29 de agosto de 2010

Lua Adversa

E me disse Cecília, num poema, tudo que eu precisa entender. 
E me disse um poema, como Cecília tudo parecia saber... 

Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...

Cecília Meireles